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A Teia – Episódio 1

Concentração. A gente tem 30 segundos para fazer a parada.” – BARONI, Marco Aurélio

A Rede Globo estreou nesta terça-feira (28) sua nova minissérie A Teia. O primeiro episódio foi uma grande introdução à história, mas nem chegamos a vislumbrar a tal teia de evidências que Macedão montará para chegar a Baroni.

Por enquanto, essas primeiras evidências estão nas fotos de celular e no faro peculiar e apurado que o delegado conhecido como Pinga-Sangue demonstrou ter.

Dirigida por Rogério Gomes, conhecido no meio como Papinha, A Teia é um seriado de ação como há muito não se via no Brasil. Ambiciosa, com muitas sequências de tirar o fôlego e realizada basicamente com externas em diversos estados, a trama é baseada em fatos reais – e não quaisquer fatos, mas crimes realizados por um bandido realmente audacioso, atrevido e sádico [leia mais sobre o homem que inspirou A Teia aqui].

Na cola deste bandido, o ‘mocinho’ da história, o tal Pinga-Sangue, o Delegado Federal Jorge Macedo, que cai de paraquedas no caso e acaba vendo nele a chance de voltar para o Ceará, de onde saiu expulso e desacreditado (já estamos mais curiosos sobre os motivos dessa expulsão do que na caçada que está prestes a se iniciar em si, né). Macedão é interpretado por aquele que é, na minha opinião, o melhor ator brasileiro em atividade, João Miguel (que muitos de vocês devem se lembrar como o caricato Só Love, de O Canto da Sereia). João é versátil e consegue se transfigurar para cada papel que assume. Só no cinema, já foram mais de 20, desde o espevitado Miguelzinho de Gonzaga – De Para Filho até o inventivo Nonato de Estômago, passando pelo desbravador Claudio Villas Boas de Xingu.

a-teia-estreia-capitulo-1A vida pessoal de seu personagem também vai dar pano pra manga em paralelo. Afastado de sua esposa e filha (que ficaram no Ceará), os parentes mais próximos do delegado são sua mãe Áurea e seu meio-irmão Eduardo, com quem, pelo visto, não se dá nada bem. E ainda acaba de descobrir que um dos ‘ratos’ que perseguiu em anos anteriores, o ex-senador Gama, é justamente o novo namorado de sua mãe. Na delegacia, Macedo vive relegado a servicinhos burocráticos, isolado pelos colegas.

Macedo será o nêmesis de Marco Aurélio Baroni, o primeiro vilão da carreira de Paulo (que cresceu e não é mais Paulinho) Vilhena. Apesar de ser o cerne da história, não foi possível se aprofundar muito na personalidade de Baroni. Mas já é possível começar a tecer um pouco de suas características. Jovem, porém respeitado e temido, Baroni é culto (demonstrado nas cenas com sua namorada, em que lhe conta sobre o câmbio hidramático e em que lhe ensina a pronúncia correta de espanhol) e é também frio. Com exceção da eletrizante sequência inicial, em que parece se divertir com a perseguição que sofre, Baroni aparece o tempo todo com movimentos calculados. Um bandido com essas características é também, consequentemente, muito confiante. Tanto que nem se abala ao enfrentar uma pesada blitz com o carro cheio de barras de ouro roubadas. E sem nem alterar o tom de voz, impõe medo aos comparsas de sua quadrilha

A única coisa que parece abalar Baroni é sua esposa, Celeste, e a filhinha fofa dela, a pequena Ana Tereza. Aliás, o momento em que ele mais se mostrou desestruturado foi justamente quando a pequenina se recusou a chamá-lo de pai. Também não conseguimos sentir muito da personalidade de Celeste, mas já deu pra perceber que ela gosta da vida que leva e que é chegada num amor bandido (o pai de sua filha também não parece flor que se cheire e tem treta forte com Baroni). Gostei da atuação de Vilhena, ele demostra maturidade e em nada lembra o namoradinho da Sandy no seriado que ela tinha com o irmão.

No prólogo do episódio, vimos a equipe de Macedo tentando abordar o caminhão que Baroni dirige em um pedágio. Essa equipe é formada por Germano (Ângelo Antônio), Libânio (Fernando Alves Pinto) e Taborda (Michel Melamed). A sequência, que já colocou a minissérie num ritmo de 100 por hora, foi amplamente destacada pelos atores como uma das mais tensas já que tanto Vilhena quando Miguel se recusaram a usar dublês. Sim, é João Miguel que está pendurado naquele caminhão!

Já o audacioso assalto no aeroporto internacional de Brasília (onde eles roubam 60 quilos de barras de ouro em 30 segundos) foi muito bem editado, com uma fotografia também cuidadosamente estudada, direcionando o nosso olhar para tudo o que precisávamos prestar atenção em meio àquela adrenalina toda. A sequência foi revisitada já algumas vezes durante o episódio e eu gostaria de destacar em especial as entrevistas de Macedo com as primeiras testemunhas. Quando ele fala com o senhorzinho da guarita, colocando-se no ponto de vista do mesmo, faz a série já parecer promissora em sua linguagem. Claro que não é um crime perfeito e o delegado já começa a desenhar onde os criminosos erraram ou se precipitaram.

E ali já temos o indicativo de que, fosse qualquer outro o delegado que pegasse o caso, talvez Baroni conseguisse se safar. Mas teve o azar de cruzar o seu caminho com Macedo, que tem bons instintos e é casquinha de ferida – e agora tem uma motivação extra pra fechar o caso.

E já temos o indicativo também do sadismo de Baroni, que aparentemente não hesitou em jogar um comparsa dentro de um poço para aguardar a morte.

Para encerrar, quero dizer que curti muito a trilha sonora da série, que vai desde Nirvana a Rolling Stones. As canções deram o tom certo para cada sequência. Importante destacar também que se trata do primeiro trabalho de TV do casal Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, que são roteiristas de sucessos de bilheteria como Dois filhos de Francisco, Tropa de Elite, Tropa de Elite 2 e Flores Raras.

A Teia é semanal, será exibida durante as terças-feiras, após o Big Brother. Mesmo focada em situar os personagens, já deu vontade de continuar acompanhando. E vocês, o que acharam?

PS: Só uma crítica forte ao áudio do episódio. Em alguns momentos, era impossível compreender o que os personagens diziam. E havia uma grande diferença de volume para as cenas de ação ou nos sobe-som da trilha sonora, o que obrigou o espectador a ficar o tempo todo com o dedo no botão de volume do controle remoto. Única bola fora numa produção super bem feita.

About Carol Maglio

Blogueira do Pãozim de Queijo, apresentadora do Logo Ali, responsável pelas redes sociais do Canal History Brasil e blogueira convidada do Canal Lifetime, ama reality shows e tem mais funções do que tempo para executá-las.
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